Carta que viajou pelo Mundo

SALVADOR FLOSI NETTO nasceu em 18 de março de 1910, na cidade de São Paulo. Descendente de emigrantes italianos, entre as décadas de 1930 e 1940 foi um funcionário administrativo da Diretoria Regional dos Correios e Telégrafos, 5ª seção, no prédio da Av. São João em São Paulo, SP.

Apesar de não ser um filatelista atuante, além de juntar selos sua maior diversão era “fabricar” peças (envelopes) e fazer com que as mesmas viajassem pelo mundo.

Tais peças eram sempre enviadas para o mesmo destinatário, RODAVLAS ISOLF (SALVADOR e FLOSI ao contrário), na Posta Restante. Como essas correspondências nunca eram reclamadas (ou retiradas pelo destinatário, o qual não existia), depois de certo tempo elas retornavam para ele com carimbos do local de destino no verso, além dos carimbos NON RÉCLAMÉ e RETOUR.

Peças desse tipo foram enviadas para Santiago (Chile), Manágua (Nicarágua), Tóquio (Japão), Adis Abeba (Etiópia), Ancara (Turquia), Sidney (Austrália), etc., e todas retornaram para o remetente.

Um exemplo típico é mostrado a seguir. Trata-se de um envelope registrado (Reg. No. 54683) circulado de São Paulo, SP, para “Tókio – Japão – Ásia”. Na frente há um carimbo com os dizeres:

S.PAULO - 1AT. – 5A SEC. – EXPEDIÇÃO
17 XII. 39



O porte foi constituído pelos três selos da série comemorativa de 15/11/1939, Cinqüentenário da República: RHM # C-143, C-144 e C-145. Também havia um selo ordinário da série Vovó (RHM #280, amarelo). O valor total foi de 2.500 réis (400 + 1.200 + 800 + 100), de acordo com o primeiro porte (até 20 gramas) para cartas registradas internacionais (vigência de 01/01/1938 a 31/12/1942).

No verso há um carimbo de chegada no destino:



TOKYO – 15. 3. 40 – NIPPON

Também no verso está o carimbo de recebimento em São Paulo:

S.PAULO – 5A SEC. – MARITIMA
-2 V. 40
Resumindo, a carta demorou quatro meses e meio para ir e voltar.